quarta-feira, 23 de abril de 2014

O paradoxo da gestão pública brasileira.

Quando se pensa em gestão pública, logo se entende ser a gestão dos bens comuns, públicos portanto, realizada por profissionais competentes, designados por entes representativos da população, que democraticamente os elege.

Quando se fala em gestão privada logo se intui em planos e estratégias utilizadas para perpetuar o empreendimento, muitas vezes encoberto para que a concorrência não se apodere do mesmo e o adapte à sua realidade - o famoso benchmarking - e aquela que o desenvolveu possa buscar padrões mais altos de eficiência ou para que perpetue seu status quo, se dominadora do mercado.

Aí é que se encontra o paradoxo!

Vejamos: no Brasil, as grandes empresas que ofertam parte de seus ativos na bolsa em forma de ações são obrigadas, pelo órgão regulador das Bolsa, a CVM - Comissão de Valores Mobiliários - a informar o mercado de seus resultados trimestrais, sua estratégia, suas metas e como fazer para alcançá-las e qualquer mudança importante - seja preditiva ou responsiva.

Enquanto isso, a gestão pública é assolada com falta de fiscalização e transparência, fadando o contribuinte ao clientelismo e, em alguns casos, a se sujeitar a máfias instauradas em instituições que deveriam ter como premissa o atendimento de qualidade.

Não, este não é um blog político. Tampouco pretendo citar A ou B, ou partidos ou feitos governantes.

Mas, é inegável que algumas ações governamentais se mostraram completamente desfavoráveis à população e, com intuito do crescimento do conhecimento administrativo deste espaço, parece ser compreensível que abordemos dois temas básicos.

A municipalização do ensino e da saúde, até agora, só se mostrou mesmo favorável à decadência destes dois pilares, ao menos ao nível das cidades onde enxergo -  e esta é uma opinião extremamente pessoal.

Os motivos, os elenco:

a) em primeiro, pequenas cidades ficaram sem referência no que tange à fiscalização mais forte de seus gastos e resultados.

b) as cidades micropolos, que seriam o refúgio para aqueles que necessitam de atendimento, tiveram seus centros de saúde deteriorados e muitas vezes mal administrados, o que promove a criação de "ligas de controle" que dificultam ainda mais o acesso da população.

c) ao invés de receberem reformas, profissionais e equipamentos, as cidades pequenas e médias receberam veículos para deslocar seus pacientes, muitas vezes para centros distantes mais que 200km.

d) o incentivo à educação superior, o que fomentaria o crescimento das micro e pequenas cidades, é nulo.

e) os investimentos para melhoria na educação, também o são.

Mas, o maior problema até agora parece mesmo ser a falta de transparência dos gastos. Até porquê não são todos os que tem acesso à portais de internet - e mesmo os que tem, não se importam tanto pois já estão na "onda" do "passivismo"

Assim, cabe a pergunta: a administração pública deste país tem jeito?

Nenhum comentário:

Postar um comentário